Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria está realizando vacinação contra HPV em meninas de 9 a 13 anos, de 8h às 17h. O Portal Teias conversou com a gerente da Estratégia de Saúde da Família Luciana Ribeiro sobre a vacinação HPV.
O que é o HPV?
É um grupo de vírus denominado Papilovirus humano e o HPV é um deles. Ele possui cerca de 150 subtipos diferentes, sendo 12 deles associados ao câncer. Desde março de 2014, o SUS oferece a vacina quadrivalente, que confere proteção contra quatro subtipos do vírus HPV (6, 11, 16 e 18). Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero em todo mundo e os subtipos 6 e 11 por 90% das verrugas anogenitais.
Como acontece o contágio?
O vírus HPV é altamente contagioso, sendo possível contaminar-se com uma única exposição, e a sua transmissão acontece por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A principal forma é pelo contato sexual, mas também pode ser transmitido de mãe para filho durante o parto.
O que dizer quanto a prevenção?
Cabe lembrar, que a vacina é uma ferramenta de prevenção primária. Que tomar a vacina na adolescência é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV. Com a introdução da vacina, podemos reduzir drasticamente os casos de câncer do colo do útero e a taxa de mortalidade. Com isso, poderemos ter a primeira geração de mulheres livre da doença. É importante que as meninas completem o esquema vacinal, tomando as três doses da vacina, conforme o calendário preconizado pelo Ministério da Saúde.
A vacina quadrivalente é capaz de estimular o organismo e se defender da doença, tornando a pessoa resistente. A proteção se dá após as três doses da vacina (contra os tipos envolvidos na vacina, isto é, tipo 6,11,16,18). No entanto, a imunização não substitui a realização do exame preventivo, isto é, o Papanicolau este deve ser realizado na vida adulta, na idade entre 25 a 64 anos, assim como não substitui o uso do preservativo nas relações sexuais, pois não confere proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis como HIV, Sífilis, hepatite B e C. Vale ressaltar que a vacinação é destinada exclusivamente a prevenção, e não tem efeito nas infecções pré existentes, isso é, não é um tratamento.
Como ocorre a administração e a dose?
Administração no braço via intramuscular (deltoide). São 3 doses, a inicial, a segunda 6 meses após, e a terceira após 5 anos, ou 60 meses (esquema estendido).
O que é o câncer de colo de útero?
O câncer de colo de útero é uma doença grave, que pode ameaçar a vida das mulheres, inicialmente assintomática, pois a infecção por HPV, pode evoluir para uma lesão percursora de câncer, e se não tratada, essas lesões evoluem em alguns anos para o câncer de colo de útero. Cerca da metade das mulheres diagnosticadas com câncer de colo de útero, tem entre 25 a 55 anos de idade, e provavelmente foram expostas ao HPV na adolescência, em geral por meio de relações sexuais com parceiro infectado.
Quem pode ser vacinado?
A população alvo da vacinação são as adolescentes do sexo feminino na faixa etária de 9 a 13 anos. Em março fizemos na unidade a primeira dose dos envolvidos na faixa etária, portanto a segunda dose (após 6 meses), se dará agora, em setembro. Esta decisão foi tomada a partir da recomendação do Grupo Técnico Assessor de Imunização de Organização Pan -Americana de Saúde, e após convocação pelo comitê técnico de Programa Nacional de Imunização (PNI).
Há efeito colateral?
Podem existir alguns efeitos adversos, como por exemplo, vermelhidão e dor no local da injeção, digamos que são efeitos locais. Podem ocorrer reações sistêmicas como febre ou tontura. Por isso, é recomendado que a menina fique sentada uns minutos depois da vacina.
Porque a escolha de iniciar a vacinação aos 9 anos?
A vacina contra HPV tem eficácia comprovada para proteger mulheres e nesta idade geralmente as meninas ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus.
Porque os meninos não são vacinados?
Porque neste momento, o grande objetivo é a prevenção de câncer de colo de útero, e isto é uma condição feminina. Os meninos não serão incluídos nas ações de vacinação, pois há estudos que demonstram que eles passam a ser protegidos indiretamente com a vacinação feminina, reduzindo a transmissão dos tipos de vírus HPV relacionados a verrugas genitais
Há contra indicações?
As contraindicações para a aplicação da vacina HPV são: reações anafilática aos componentes da vacina/ reação anteriores; gestantes, uma vez que não há estudos conclusivos até o momento.
Porém, se a adolescente engravidar após o início do esquema, as doses subsequentes deverão ser adiadas até o período pós parto. Caso a vacina seja administrada durante a gravidez, nenhuma intervenção adicional será necessária, somente o acompanhamento do pré natal.
As escolas públicas do Território Manguinhos estão participando?
Para o sucesso da campanha de vacinação contra o HPV é importante, fundamental o trabalho articulado entre as Secretarias Estaduais de Saúde, Secretarias Municipais, as Regionais, Unidades Básicas, Escolas Públicas e Privadas. É importante que cada instituição tenha suas atribuições e ações bem definidas e conhecidas, assim como elaboração de um cronograma de atividades.
A parceria é fundamental com as escolas, pois o envolvimento dos professores com estes pais, estas crianças e adolescentes concentrados nesta instituição, há uma participação ativa junto com a saúde na conscientização da importância da vacinação do HPV, contribuindo para a disseminação das informações. Uma carta é entregue aos pais sobre a vacinação, um termo de autorização ou recusa da vacinação. A vacinação em nosso caso tanto é ofertada na própria escola, com agendamento prévio, como no CSE Germano Sinval Faria. A Clínica da Família Victor Valla está participando desta atividade no território Manguinhos.
Fonte: Com o Ministério da Saúde





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